Monday, September 18, 2006

O telefone

Dez da noite o telefone não tocou... Clarice ja estava desiludida, esperou anos, dias, por isso e não aconteceu... Pensou que era uma idiota, sentiu-se a pior mulher do mundo, mas resolveu não pensar mais nisso, como se tivesse levado um susto, levantou-se, enxugo as lagrimas, arrumou o cabelo, foi ate o quarto,olhou -se no espelho, grande e antigo, lembrança da sua avó, viu-se refletida, cara abatida, olhos tristes, cabelos longos, nariz fino, via uma mulher linda, jovem e interessante, quanto mais olhava mais pensava: _ Por que estou sozinha? Por quer ninguém me diz eu te amo? Sentou-se, ou melhor, deixou-se cair no chão, suas lagrimas tocavam o chão, suas mãos cobriam a face, ficou assim por minutos, chorando envergonhada, triste e sozinha. Não agüentava mais essa vida, queria morrer, sumir, desaparecer, começar do zero, talvez fosse a melhor das idéias, mas sempre pensavam que iram existir dias como esse... Acendeu um cigarro, no escuro, pouco dava pra se ver, ela gostava, sentia-se bem assim, tragou e pensou, conteve o choro, quando já estava quase em lágrimas novamente ouviu. Ouviu ao fundo o que tanto esperava,ouviu o motivo de todo os seu desespero, ouviu o telefone...

_Alô!

2 comments:

Giovanna Vilela said...

Seu texto é uma delicia de ler,cedenciado,enxuto...
Espero que a Clarice se sinta melhor depois do telefonema, se não,liga de novo.

Quem confessa said...

rsrs, melhor escritor que conheço!!! ganha de muitos por aí! bjusss Digo! ;)