Monday, April 23, 2007

Mais uma carta...

Garota dos olhos cor de mel no pote, linda pele morena, sorriso puro, dona das curvas que por anos me perdi, seios, boca, sexo, inocencia, amizade, carinhos e abraços, historias...

_Mexe nas minhas costas?

Só você sabe fazer;
Com que eu me perca e me ache em você;
Com que eu durma e consiga sonhar;
Com que eu deseje que a vida seja longa;
Com que eu volte a sorrir e a viver... ~

Sinto a cada dia longe o quanto você era e é especial, unica, mulher, a minha metade perdida. Em cada corpo vi o seu, em cada sorriso procura encontrar você, cada palavra, gesto, brincadeira, em cada cigarro e copo vazio, via você...

O meu orgulho covarde não me deixou ver que estou me perdendo sem você, a sua ausencia contribui. Preciso sentir o seu coração, seu corpo e saber que tudo valeu a pena, por que sei que você vale a pena, que so você é a minha metade perdida, o meu riso e o meu choro, preciso de você e sei que você precisa de mim... Juntos somos completos...

Ainda te amo muito...

Clarisse dobra o papel amassado, enxuga os olhos e o guarda na velha caixa de sapatos...

Tuesday, April 17, 2007

Só me sobra isso

21:00 h marca o relógio...
_Vai começar, ninguém me ligou, talvez elas estejam ocupadas rindo enquanto eu espero. Não vai ser a primeira nem a última vez que esquecem de mim... Até entendo, pensa: quem vai querer perder seu tempo comigo? Quem vai querer ouvir lamentos e críticas secas de alguém tão velha, enquanto podem estar rindo com eles? Quem? Ninguém...
Começou, Clarisse senta bem perto da tv, sala vazia, noite vazia, relativamente escura e fria, no copo vodka 40% de álcool Russa, que chique hein! Tenho uma puta vodka e nenhuma companhia, três cigarros, acústico Lobão, pensando bem, tenho as melhores companhias: Vodka, cigarro e boa música, o que pode ser melhor? Um namorado que não tenha nada haver comigo, que odeie minhas músicas, que não beba vodka ou fume cigarros, que critique meus sonhos, que seja egoísta? É preciso namorar...
_Qualquer dia da semana um coração se enche de amor, qualquer dia semana é primavera. Canta
Rí pelo efeito do álcool ou da solidão, 40% de solidão no copo. A cada música canta, grita, dança sozinha no meio da sala, em cada gole esquece um pouco da vida. Com certeza é melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez, nesse ritmo acho que não duro cinco. É só me sobra isso...




Monday, April 02, 2007

Mais uma vez apaixonada...

A noite chega, o copo está vazio, o cinzeiro cheio, as unhas roídas doem, em cima da estante o celular vibra, Clarisse levanta, corre, abre o celular e sorrí, o coração dispara, começa a ler a mensagem baixinho, sorrindo abraça o celular, se fosse em outros tempos, pensaria que aquilo não tem sentido, que está sendo infantil, boba, mas hoje não sente vergonha de parecer infantil...
Quem enviou a mensagem está longe, em outra estação, em outro lugar, mesmo assim ela o sente perto, o espera, sonha com ele, sente sua falta...

_ Também não vejo a hora meu amor, responde baixinho como se ele pudesse escutar seu sussurro no ouvido, ele pode...

Acende mais um cigarro, liga o rádio, coloca um cd, não um cd qualquer, mas aquele que tem a música, aquela que a faz pensar nele...

_ Sinceramente você pode se abrir comigo... Sorri, dançando no meio da sala, voltou a ter doze anos, sente novamente borboletas no estômago, medos, inseguranças, paixão. Dança e canta até não poder mais, o copo que estava vazio, volta a ficar cheio e logo volta a ficar vazio, joga-se no sofá rindo, feliz, bêbada, apaixonada...
Como vai ser? Qual seu gosto? Seu cheiro? Tantas perguntas, tantas respostas, o que importa? Pensa: nada disso importa, que diferença fará, a porta está aberta, as janelas agora deixam o sol entrar.
As horas vão passando, a garrafa esvaziando, copos cheios se misturam com copos vazios, cigarros, unhas roídas, música alta pela madrugada.

_Como eu queria que você estivesse aqui, como eu queria estar ai!

Fuma todos os cigarros do mundo, bebe toda a garrafa de vodka, falta dois dias, somente dois dias, para o mundo parar. Repete várias vezes enquanto vê o mundo girar ou pelo menos a sala.
Tenta levantar, desiste, rí sozinha, tenta mais uma vez e nada, quando já esta pensando em dormir alí mesmo na sala, no sofá, jogada de calça jeans e tênis, vê novamente o celular vibrar, agora sim levanta com um pulo assustado pega o celular abre e lê baixinho...

_Boa noite meu amor, tá chegando, vou te abraçar, beijar...
_Boa noite amor, responde baixinho.

Vê novamente a sala girar, joga-se no sofá, fecha os olhos e dorme bêbada mais feliz, muito mais feliz do que podia imaginar ou esperar. Dorme porque sabe que essa noite seu príncipe encantado a visitará mesmo que seja em seus sonhos... Ele está chegando, está sim...
“... Lembrem-se: Clarisse voltou a ter doze anos, nessa idade as meninas ainda sonham com o tal príncipe encantado...”

Monday, March 19, 2007

O importante é beijar?

BEIJA!!! BEIJA!!! Gritos frenéticos da platéia, ela vendada não sabe quem vai beijar, também não importa, o importante é beijar, ainda mas se for na MTV, já o rapaz está vendo, na verdade está mais preocupado com o que os amigos estão vendo, imagem é tudo...

A TV foi mal aproveitada, pensa, troca de canal, uma, duas, três vezes, pela janela o sol tenta entrar, mostrar que o espetáculo começou, que há uma certa vida atrás daquela janela. Pega o telefone disca um número já decorado.

_Alô!
_E aê, tá fazendo o quê?
_Clarisse? Que horas são?
_Sei lá, quatro e meia acho...
_Meu que cedo...
_Pára de reclamar, levanta que vamos sair!
_Sair pra onde?
_Não sei, trinta minutos tô aí, beijos tchau!
_Meu peraí! Clarisse, Clarisse...

Abre o guarda-roupa, olha, quer estar bonita, mesmo que seja pra um amigo, blusinha azul, calças jeans e tênis perfeito. Banho demorado, água quente, canta, enquanto lava o longo cabelo castanho, acaba perdendo a noção do tempo.

_Dez pras cinco, merda! Sai correndo pega a toalha e se enxuga, enquanto se veste pensa nas possibilidades, ia ser bem legal se rolasse – pensa...
Já vestida arruma o cabelo, dá uma última olhada no espelho, pega as chaves e sai. No carro pensa no que está fazendo, no por que esse amigo não pode ser mais que um amigo? Por que se isso acontecer vai ferrar tudo, melhor deixar como está...

Buzina uma, duas, três vezes.
_Cara de sono hein!
_Só você pra me tirar da cama tão cedo...
_Besta!
_Pra onde vamos?_Não sei, mas quando chegar você me avisa...

Monday, March 12, 2007

Pais e filhos

_Alô!
_Oi.
_Filha? Quanto tempo!
_Oito meses pai...
_Você tá bem?
_Às vezes.
_Hum! Então... (Clarisse interrompe) _Posso passar o fim de semana aí?
_Claro, claro!

Quatro horas de viagem, paisagens que já não lembrava, sol quente, cheiro forte, barulho e risadas. A cada segundo Clarisse pensa em desistir, em voltar, bastava descer na próxima estação, não seria a primeira vez e não seria a última. Fica em seu lugar estação após estação, até que o trem pára, as poucas pessoas que ainda estavam alí começam a descer, uma a uma, Clarisse por sua vez não se move, não pisca, não fala, o barulho torna-se silêncio, as risadas já não existem mais, os únicos sons que ela escuta são o seu estômago roncando e seu coração batendo rápido.

_Moça, moça chegamos!
De repente Clarisse sai do transe, na sua frente uma jovem de uniforme azul, simpática por sinal, sorridente a ajuda com suas coisas. Clarisse levanta anda pelo vagão a caminho da porta, desce, pensa e sorrí tímida, mas sorri...
_Demorei? _Oito meses, oito longos meses...

Risadas e abraços, lágrimas e beijos, Clarisse estava em casa, feliz, ria sem precisar de ajuda e abraçados eles foram para o carro, rindo e felizes como os pais e filhos devem ser...

Monday, February 26, 2007

Você tem uma nova mensagem.
_Oi! Já faz um tempo, me liga...

Tecle 1 para repetir a mensagem
Tecle 2 para apagar a mensagem.
Dois

Silêncio, olhar baixo, pensamentos tristes, saudade, muita saudade. Não, não quero mais isso, não tenho por que ligar, acabou ele quis isso não quis? Agora me procura, já não bastou o quanto ele me fez sofrer?

Pela fresta da janela um pouco de sol tenta entrar, na cama Clarisse tenta esquecer e voltar a dormir, vira de um lado pro outro, tenta esquecer e dormir, mas não dá.
Quer ligar, quer ouvir sua voz, quer escutar, precisa, mas não dá, não posso sofrer mais, não posso viver com isso, mas também não posso viver sem...

Pega o telefone disca, desliga. Joga o telefone do outro lado da cama, levanta e sai.

_Preciso de um banho.
Já no banheiro, liga a torneira, senta na beira e espera encher a banheira. Enquanto enche ela passa a ponta dos dedos na água, fica em transe olhando o movimento que ela faz, com um simples toque, um simples ato muda tudo, o que está parado movimenta-se, o que está em movimento, acelera. Clarisse sente na pele isso, um simples ato, uma voz, uma simples frase, ME LIGA, fez tudo movimentar-se novamente. Perde a noção do tempo, enquanto "sonha" a banheira transborda.

_Droga, molhou tudo! Tá vendo, é so uma ligação dele e as coisas já começam a dar merda, rí, rí de verdade, está feliz, ele a procurou, sente sua falta ou não, às vezes só quer me comer, nossa como sou pessimista, rí mais ainda, liga a hidro, nada melhor que uma hidro às duas da tarde de um domingo...

Já na banheira, ela relaxa, mas somente o corpo, por que a alma está longe, os pensamentos estão em outra sintonia, ela quer ligar, mas não vai, prefere saber que está sendo desejada, mesmo que seja por uma única noite, do que sofrer por saber que não era nada disso, toma seu banho, devagar e relaxada, agora de corpo e alma, pensa que existe um mundo lá fora e ela precisa redescobrí-lo.

Enxuga-se na toalha rasgada, agora sim para na frente do espelho e se arruma, resolve sair, aproveitar o resto do domingo, quem sabe conhecer alguém legal...

Calça jeans, camiseta velha dos pistols, cabelo solto, óculos na cara, livre de corpo e alma, abre a porta e sai, em busca do sapo, por que o príncipe ela já cansou de esperar...

Monday, February 12, 2007

Quantas pessoas podemos amar?

_Quantas pessoas podemos amar?
Clarisse se pergunta todos os dias, quantas pessoas podemos amar? Quantas vidas podemos viver?

Os anos passam mas as lembranças não, Clarisse lembra de quantos amores teve, amores bobos de colégio, amores sérios na adolescência, e um único amor quando adulta...

Cigarros, Beatles, lembranças, algum remédio que a faça sonhar ou esquecer, os dias são iguais, de manhã ela tem que parar de sonhar para poder acordar e a noite tem que esquecer para poder dormir, trabalhar durante o dia, estudar à noite, fingir um sorriso quando chega e sentir-se aliviada quando parte...

Finais de semana perdidos, entre maços e garrafas, papos furados e amigos, saudades e planos, lembranças e esperança, assim ela vive, lembrando de quem já a esqueceu e esquecendo aqueles que ainda se lembram.

Em muitos desses dias Clarisse lembra da única vez que sentiu mesmo que amava, que sentiu correndo por suas veias, pelo seu corpo, hoje sofre por ter perdido o seu único amor quando adulta, talvez hoje não tivesse que dividir seus dias entre maços e garrafas, suas noites entre demônios e remédios pra dormir, acreditar que abriu mão da sua felicidade pela dele soa ate bonito, mas saber que além disso o orgulho falou mais alto, e assumir isso fica difícil quando não se sabe pra onde está indo, ou por que esta indo...

Talvez seja efeito do vinho ou da vida, ela adora esse trecho da musica, não por menos, o vinho fez parte da sua adolescência e ajudou a encontrar o verdadeiro amor, aquele mesmo que ela jura que não ama mais e que deixou ir pela felicidade dele.

Clarisse vive cada dia como se fosse o último, entre garrafas e maços, lembranças e esperanças, esperando e vivendo, mas acima de tudo querendo descobrir quantas pessoas podemos amar...

Monday, February 05, 2007

“Tudo era tão perfeito, só podia dar em merda...”

“Tudo era tão perfeito, só podia dar em merda...”

Primeiro pensamento do dia, nada bom, enquanto fuma o primeiro de seus muitos cigarros, Clarisse, sentada no degrau, tem uns flash´s do seu passado, na verdade de uma única parte, somente a mais importante... Traga e lembra, lembra e traga, assim fica pelos próximos 10 minutos tragando e lembrando...

Bate a cinza no chão e lembra daquela vez que ele levou flores no seu serviço, ele trabalhava na zona leste, ela na sul, ônibus, metrô, rua, com um bouquet na mão, ele morrendo de vergonha, ela com um sorriso no rosto quando o viu, bons tempos aqueles, tudo era tão calmo... Mais um trago, um suspiro, os olhos ficam tristes quando pensamos naqueles que não temos mais...

Clarisse ainda sentada no degrau, lembra de quantas vezes ficou sentada na escada comendo besteira, rindo com ele do seu lado, acreditando que tudo era perfeito e nunca ia acabar. Pensa em todos os filmes que não viram juntos, em todas as músicas que escutou sozinha pensando nele, em todos que conheceu depois, mas que nenhum era ele, por isso está sozinha...

Levanta, apaga o cigarro, resolve sair, são 10:30, domingo de sol, crianças nas ruas, namorados nos parques, solitários nos bares, a vida é assim, acende mais um cigarro, caminha pela rua, escuta um pouco distante a buzina de um vendedor de algodão doce, caminha em sua direção, quanto mais perto, mais lembra, das inúmeras vezes que comeram algodão doce juntos...

_Quanto é?

_ 1 Real.

_ Quero o rosa com a mascara de macaco

_Aqui!

_Obrigado

Continua caminhando pela pracinha, a mesma pracinha onde se conheceram, onde viveram talvez os melhores anos de suas vidas, alí conheceram pessoas, alí beberam, fumaram, choraram, alí ele disse que a amava, alí ela o pediu em namoro, alí ganhou seu primeiro presente: um cd, alí teve a certeza que o amava. Resolve sentar no mesmo banco onde há anos eles começaram a namorar, come o algodão doce, dessa vez sozinha, termina o cigarro, e pensa em tudo o que viveu naquela praça. O tempo passa, as lembranças ficam...

O sol esquenta o corpo, mas não o coração, olha no relógio 12:10, Clarisse sente-se fria e triste seu coração gelado. Coração gelado, sorri lembrando das brincadeiras que faziam. Ainda sentada acende outro cigarro, traga com força, os olhos cheios de lágrimas, a dor que já acostumou a sentir toma conta de todos os espaços, Clarisse sabe que sente a falta dele, sabe onde ele está, ainda existem sentimentos, traga, bate a cinza, sorri meio sem motivo, meio triste, meio perdida.

Resolve ir embora, caminha de volta pela praça tentando deixar suas lembranças lá, quanto mais quer esquecer, mais lembra. Realmente tudo era tão perfeito que só podia dar em merda...

_Oi! Por favor um martini com vodka...

Monday, January 29, 2007

Por que a gente é assim?

_Passa o vinho aí..._Você bebe hein garota?_E você não?
Risadas, cigarros, histórias, conversas noite adentro, sentada no puff roxo, Clarisse sente-se em casa, cercada de pessoas que falam sua língua, que entendem suas neuras, seus medos, sonhos, desejos... Noite adentro a conversa segue, Clarisse fala, bebe, fuma, nem parece a menina tímida que os “desconhecidos” conhecem, aqueles na sala sim a conhecem sabem o que ela quer dizer quando se enrola toda seja por efeito do álcool ou da sua vergonha.
Clarisse não deseja que a noite acabe, tudo esta perfeito, seus demônios foram enjaulados, seus desejos e sonhos soltos, naquela sala ninguém julga ninguém, não há melhor nem pior, pseudo-intelectuais, ou gênios, todos ali são iguais, sentem-se iguais, nem melhores ou piores, não há julgamentos. Clarisse esta no meio de amigos, conta tudo o que normalmente tem vergonha e ri muito, talvez seja efeito do álcool pensa ou da solidão, acende outro cigarro, no rádio sua música toca, empolgada ela canta o refrão:
_Mais uma dose? É claro que eu to afim, a noite nunca tem fim._Baby, por que a gente é assim?
Noite adentro seguem bebendo, rindo, falando, a noite assim como o vinho acaba as pessoas na sala começam ir embora, Clarisse permanece no puff roxo, olhando todos sem dizer nada, um a um ela se despede, no final Clarisse e seu puff roxo, algumas idéias na cabeça e um refrão...“Mais uma dose?É claro que eu tô a fimA noite nunca tem fimPor que a gente é assim?”Porque? Amanhã descubro, uma risada um bocejo, os olhos fecham e cantando baixando: _Por que a gente é assim? Ela adormece...

Monday, January 22, 2007

Quem paga suas próprias bebidas?

_Oi
_Oi
_Posso te pagar uma bebida?
_Não, mas aceito um cigarro. Clarisse acende o cigarro e levanta, mexe no cabelo, olha para trás e lança um sorriso provocativo, ela sabe o que faz, sabe que ele só quer comê-la, os homens mais velhos só querem isso da gente. Bobos, se eles soubessem que só queremos isso deles perderia toda a graça, eles acham que os amamos, que esperamos que eles nos peçam em casamento, que larguem suas esposas, quando na verdade queremos o mesmo...

Ele alto aparentando uns 35 anos bem vestido, aparentemente educado, sem aliança.
_Oi de novo, agora eu posso te pagar aquela bebida?
_ Não! Mas você pode sentar aqui comigo...

A conversa começa, o jogo começa, ambos sabem o que querem, sexo casual, sem sentimentos, sem culpa, somente uma transa de sexta - feira a noite. Ela adora essas coisas, deixa de ser a menina tímida que tem vergonha de tudo e passa a ser a mulher q provoca, que excita, que olha nos olhos e diz que quer transar com ele, talvez seja o efeito da bebida ou dos anos que se sentia um patinho feio perto de suas “amigas”.

A conversa entra noite a dentro, Clarisse sempre provocando, ele como todo homem adora isso, já não vê a hora de sair do bar e abrir o zíper, ela por sua vez espera o momento certo, aquele momento em que consegue ver nos olhos dele o desespero o medo de não comê-la, de ter que masturbar-se sozinho... Ela sorri por dentro, esta sendo desejada, mesmo que seja por uma única noite, sente-se mulher, deixa a menina no bar, levanta e diz:

_ Vamos pra sua casa?
_ Claro...

No caminho dentro do carro Clarisse nota os olhares daquele homem, imagina as coisas que estão passando em sua cabeça, seus desejos, mas principalmente seus medo, medo de broxar, medo de não conseguir dar prazer aquela menina 10 ou 15 anos mais nova, ela por sua vez sabe que basta fingir uns gemidos, fingir um orgasmo e pronto, tudo volta ao normal.

O carro pára, ela nota a casa bonita por fora, bairro bacana, deve ser bem sucedido, se ele visse onde eu moro sorri em silêncio. Já no quarto Clarisse faz bem o seu papel, seduz, excita, olha nos olhos, fala algumas palavras, transa uma, duas vezes, finge uns gemidos, finge um orgasmo, ele goza, diz alguma coisa, ela levanta vai ao banheiro toma um banho, volta pra cama ele já esta dormindo, dorme ao seu lado. Acorda cedo olha e vê que ele ainda dorme, sente-se mulher, mas sabe q precisa buscar a menina que deixou no bar.

Veste sua roupa amassada e sai, antes de fechar a porta olha aquele homem deitado na cama dormindo, realizado porque acha que conseguiu dar prazer a uma menina 10 ou 15 anos mais nova, ela sorri fecha a porta e vai embora sem falar nada. Vai embora sorrindo porque sabe que paga suas próprias bebidas...

Thursday, January 11, 2007

Suicídio ou Homicídio?

As luzes acendem, as pessoas no cinema começam a levantar, seguem para o final da sala as portas abertas, uma luz forte cega cada espectador que passa pela saída, Clarice ainda esta lá sentada esperando os créditos finais, ela adora ler os créditos, às vezes pensa que sua vida é um filme e só vai entender tudo quando estiver vendo os créditos.

Levanta, arruma a saia amarrotada, percebe que derrubou refrigerante em sua camiseta dos Pistols, ri sozinha, por um breve momento percebe que esta sozinha em um cinema e perguntasse que tipo de pessoa vai só ao cinema? As mais interessantes responde e sorri. Sai em direção ao metro, já são quase meia noite pensa, o metro vai fechar, aperta o passo, são oito estações ate sua casa, um pouco longe, principalmente durante a madrugada não que isso fosse problema, pois já havia voltado sozinha durante a noite pra casa, mas isso era em outros tempos.

Passa, ou melhor, pula a catraca, desce as escadas correndo, consegue entrar no metro antes que algum segurança a pegue, um pouco ofegante e cansada ela senta em um banco no fundo do vagão, desejando que o mundo acabe no próximo segundo, fecha os olhos e cochila.

_Clarice! Clarice é você mesmo? Ouve e pensa estar sonhando. Abre os olhos meio assustada e deseja que fosse um sonho mesmo.

_Oi, menina,quanto tempo hein?

Clarice limita-se a responder com um oi seco e ainda assustado.
Um pequeno interrogatório começa, e Clarice cansada, com sono, triste, olha o relógio 00:15 marca, olha pela janela falta ainda seis estações, começa a entrar em pânico...

_Como você esta? O que tem feito? Trabalhando ainda? Esta namorando? Conta-me tudo?_Estou bem, tenho feito muitas coisas, mudei de emprego, não, não estou namorando...
_Eu estou a oito meses namorando você tem que conhecer ele, nossa ele é lindo, forte, alto é o melhor tem dinheiro você sabe, namorar pobre não da. Uma risada alta e falsa toma conta do vagão nesse momento
_Se você acha, bom pra você. Responde Clarice
_Então você não mudou nada, ta um pouco mais gordinha, mas continua a Clarice de sempre, aposto que ainda deve escutar aqueles discos cafonas, fala a verdade estou linda não estou. olha esses brincos são de ouro meu namorado que me deu. Outra risada dessa vez um pouco mais alta e empolgada

Clarice prefere ignorar os comentários sobre gordura, beleza e brincos.

_Mudar pra que se me sinto bem assim, os discos cafonas que você se refere são os dos Mutantes?
_Não sei mas deve ser com esse nome só pode ser cafona hahahahhahahah, você não sabe outro dia estava em uma balada dançando no meio da pista quando um gatinho, você tinha que ver lindo, dançamos um funk juntos nossa você tinha que ver, depois saímos e fomos em uma rave de um amigo dele rachei na caixa ate o outro dia, também com a quantidade de bala que tomei não dava pra ficar parada mesmo haahahahaahha.

Nesse momento Clarice entra em pânico pensa em suicídio depois decide que seria melhor para todos homicídio, um sorriso irônico e pequeno aparece. O vagão para, as portas se abrem, falta uma estação, andar ou ouvir? Clarice pergunta em silencio a resposta mais do que obvia

_Que bom que você esta feliz e conhecendo gente interessante, bom agora eu tenho que ir, foi interessante ter encontrado você, tchau.

Clarice levanta correndo nem espera para se despedir e sai do vagão, uma estação antes da sua, mas e melhor andar sozinha e em silencio, do que continuar ali servindo de espectadora para os "grandes" feitos de sua "amiga". Enquanto caminha pelas ruas escuras sente pena dela, chega conclusão de que existe pessoas que precisam de elogios diários, pessoas inseguras que criam personagens para esconder essa insegurança, que precisam humilhar e rebaixar os outros para poderem sentir-se melhores, superiores, felizes.
Finalmente chega em casa, abre a porta procura sua cama, nem se preocupa em mudar de roupa, deita e dorme sem pensar em nada, querendo esquecer tudo só esperando os créditos finais...

Monday, January 08, 2007

Clarice acordou, levantou-se, sintiu um aperto no coração, uma dor estranha no peito, uma medo a muito não sentia, percebeu que havia acordado do dragão, que havia aberto a caixa de pandora no seu peito, entrou em panico, pegou um cigarro um papel e caneta, começou a escrever sem sem parar coisas loucas sem sentido, sem sentido para os outros, mas completamente com sentido pra ela... Tomou coragem pegou o telefone e discou, do outro lado uma voz conhecida, Clarice começou a falar tudo oque a anos escondeu tudo oque falava pelas costas sem coragem de dizer... Combinaram um encontro, Clarice o avistou na chuva, deixou escapar um sorriso, pequeno mas sincero... Um abraço seguido de lagrimas, rosa, e um pedido de desculpas e por fim deixou escapar um Eu te amo... Uma tarde estranha a conversa se estendeu por horas, quando ela achou que duraria minutos, fizeram as "pases", colocaram as coisas em ordem, por fim Clarice despedesse e vai em embora, por alguns minutos sente-se bem, mas logo sente-se perdida, mal, triste, sabe q a pessoa o unico amor que sentiu morreu, deixou morrer, perdido e triste, como uma rosa jogada no lixo...

VIDA SEM VOCÊ NÃO É VIDA"

Monday, November 13, 2006

Desabafos...

_ Você mudou minha vida... Essas foram suas palavras, timidas e sinceras olhando no fundo dos olhos dele Clarice criou coragem para contar, desabafar, para abrir seu coração... Durante algumas horas que mais pareceram muitos, ela contou sobre seu passado, presente e planejoi um futuro, como as mulheres gostam de planejar o futuro, a duvida, o medo, a vontade de realizar os sonhos, acabam movendo o mundo ele concluiu. Falou sobre sua mãe, seu abuso de alcool e drogas, sua solidão, tristeza, medo, isso fazia parte do seu passado, um passado que nunca mais quer viver, que não quer mais lembrar, vomitou tudo oque estava engasgado a tempos como uma forma de exorcisar seus demonios, mesmo com medo de perde-lo ela foi ate o fim, sabendo que ele a entenderia no final. Entenderia que o presente dela, que o futuro deles começou no dia em que seus lhos se cruzaram, no dia em que Clarice teve coragem de dar-lhe um beijo, no dia em que sentiu que podia amar novamente, deixou de lado tudo que a destruia, tudo oque a fazia sofrer. Ele sorri, ela chora, um choro de desabafo, um choro de alegria, em momento algum sente vergonha ou vontade de enxugar suas lagrimas, por que são lagrimas de alegria, lagrimas que a muito tempo queria chorar. Ele a ama ela sabe disso, sente como se sua vida voltasse ao eixo, voltasse a ser oque sempre foi. Ele agradece ela por ensina-lo a amar, Clarice sorri e pede um beijo um abraço e pensa. _Eu que agradeço meu amor, eu que agradeço...

Monday, October 23, 2006

Um amor, um novo mundo...

Clarice levantou, pensou em tudo o que aconteceu nesses ultimos meses, do fundo do poço as nuvens. Sentia-se viva, como a muito tempo não se sentia, havia esquecido como era amar e ser amada, como era bom escutar um eu te amo, agora vivia isso de novo, estava amando sendo amada, vivia uma vida esquecida, voltou a acreditar em promessas, sonhos, planos, palavras.
Foi em direção a cozinha, preparou seu café, sentou a mesa, pensou na vida que estava levando, sentiu o coração apertar, uma saudade, uma vontade de ouvir a voz dele, ficou ansiosa, sentiu seu coração disparar... Levantou foi em direção ao banheiro, tomou uma ducha quente pra relaxar, enquanto a água molhava seu corpo, seus pensamentos estavam longe, estavam nele, não conseguia esquecer aqueles olhos, aquela boca, o seu cheiro. Sentiu seu coração apertar de novo, desligou o chuveiro, enrolou-se na toalha, e foi para o quarto, parou de frente ao velho espelho, olhou-se como a muito não fazia, sentiu-se sexy atraente, linda pela primeira vez em meses, talvez anos, sentiu-se uma mulher, desejada e completa. Como uma simples frase, um simples gesto podia mudar toda sua vida? Cada vez que lembrava da noite passada seu coração disparava, sentia medo, alegria, conforto, insegurança, uma tempestade de sentimentos em seu peito. Olhando para o espelho, o mesmo espelho que por muitas vezes refletia suas lagrimas, sorriu e decidiu que não teria medo, que deixaria as angustias, a insegurança de lado, viveria esse amor com toda a intensidade possível, se entregaria, abriria seu coração, abaixaria a guarda... Sorriu, não conseguia parar de sorrir, estava feliz, uma nova mulher, vestiu-se, penteou os longos cabelos negros, respirou fundo, pensou em seu amor e sorriu... Pegou suas chaves e saiu, tinha um novo mundo pra descobrir...

Monday, September 18, 2006

O telefone

Dez da noite o telefone não tocou... Clarice ja estava desiludida, esperou anos, dias, por isso e não aconteceu... Pensou que era uma idiota, sentiu-se a pior mulher do mundo, mas resolveu não pensar mais nisso, como se tivesse levado um susto, levantou-se, enxugo as lagrimas, arrumou o cabelo, foi ate o quarto,olhou -se no espelho, grande e antigo, lembrança da sua avó, viu-se refletida, cara abatida, olhos tristes, cabelos longos, nariz fino, via uma mulher linda, jovem e interessante, quanto mais olhava mais pensava: _ Por que estou sozinha? Por quer ninguém me diz eu te amo? Sentou-se, ou melhor, deixou-se cair no chão, suas lagrimas tocavam o chão, suas mãos cobriam a face, ficou assim por minutos, chorando envergonhada, triste e sozinha. Não agüentava mais essa vida, queria morrer, sumir, desaparecer, começar do zero, talvez fosse a melhor das idéias, mas sempre pensavam que iram existir dias como esse... Acendeu um cigarro, no escuro, pouco dava pra se ver, ela gostava, sentia-se bem assim, tragou e pensou, conteve o choro, quando já estava quase em lágrimas novamente ouviu. Ouviu ao fundo o que tanto esperava,ouviu o motivo de todo os seu desespero, ouviu o telefone...

_Alô!

Monday, September 04, 2006

_Oi.
_Oi
_Precisamos conversar.
_Sei, ate que demorou.
_Você já sabia
_Percebi
_Não queria que chega-se a esse ponto
_Nunca queremos
_Tudo mudou tão rápido, caminhamos em direções opostas...
_Mas você sabe, sempre chegamos juntos, sempre.
_Você mudou eu mudei, perdemos nosso rumo.
_Crescemos, mudamos por que foi preciso.
_Talvez eu não te ame mais
_Quando olhar qualquer coisa que me lembre, vai parar respirar fundo, enxugar os olhos e sentir o quanto me ama.
_Vou sentir sua falta
_Todos os dias
_Não chora
_Não quero chorar
_Você não me ama mais?
_Uma parte minha ainda te ama
_Então ainda me ama?
_Eu não sei, tenho medo.
_Eu também, tenho medo de nunca mais encontrar uma mulher igual você, de viver minha vida triste e perdido, tenho medo de nunca mais sorrir, medo de não conseguir viver sem você, sem seus defeitos, suas qualidades, amo você...
_Para, por favor, não faz isso, não vai dar certo, vamos brigar de novo, eu não quero mais isso.
_Você é tudo que tenho... Você me faz sorrir e chorar com a mesma intensidade de um tornado, você me faz acreditar que ainda existem pessoas boas, que a vida vale a pena.
_Por mais que me doa você também...
_Então por que ta fazendo isso, você ta me mandando embora, me perdendo, mandando embora a sua e a minha felicidade...
_Eu não sei, você me deixou confusa.
_Então deixa eu te mostrar que nossa historia não acabou, que ainda teremos coisas bonitas pra contar, que nossa felicidade esta no nosso amor, nas suas mãos...
_Me abraça
_Por toda a vida
_Você ainda me ama
_Cada dia mais
_Vou sentir falta de tudo o que construímos
_Eu também...

Wednesday, August 23, 2006

_ Bom dia!
_ Bom dia, filho!
_ Mais 5 minutos mãe.
_ Você vai perder a hora.
_ Perai, já to levantando...
_ Rodrigo Francisco, levanta logo e vai tomar banho...

Que saudade de ouvir isso... Que saudade de você, do seu abraço, seu beijo, sua proteção, sua comida, seus doces e bolos, nossa aquele bolo de cenoura com chocolate, que saudade da casa cheia, de ter vida em uma casa hoje morta, que saudade de saber que existe um futuro... Sinto sua falta, todos os dias estão escuros, queria que voltassem a ser claros...

_ Boa Noite Mãe!
_ Boa noite filho, dorme com Deus e sonha com os anjos...
_ Você também Mãe, você também...

Monday, August 07, 2006

Clarice abriu os olhos, 5:35 marcava no relogio, pensou: _ Que dia é hoje? O que importa todos os dias são iguais. Virou pro lado e tentou dormir mais um pouco, virou pro outro e nada; _ Essa insonia esta me matando, ninguem morre de insonia, concluiu. Ficou deitada por mais 2 horas ja era quase 8, decidiu levantar. Levantou, andou pelo quarto meio bagunçado ou como gostava de dizer, meio arrumado. Parou de frente para o espelho, ficou durante alguns minutos olhando tentando descobrir porque estava sozinha por que não se achava atraente, bonita, interessante, não tinha uma aparencia ruim, muito pelo contrario, tinha otimas feições, isso a deprimiu, pelo menos se fosse feia teria um motivo. Pensou por alguns segundos, em sumir, ir embora, morrer (isso a assustava), por fim foi ate o banheiro, trancou a porta, sentou no chão, começou a chorar, chorou, pensou em sua vida, em tudo o que passou, quem amou, quem perdeu, lembrou de sua mãe de sua filha e chorou muito, pensou q a vida nunca foi justa com ela, desde o seu nascimento tinha sofrido cada dia mais, amores perdidos, amigos partindo, pessoas queridas morrendo, pensou mais uma vez em desistir de tudo. Deixou de lado essa ideia, não tinha coragem, levantou enxugou o rosto, tomou seu banho, olhou o reflexo de seu corpo no box, realmente era linda, mas pq estava sozinha? Enxugou-se com a toalha molhada, sentiu uma enorme vontade de chorar, segurou... Voltou para o quarto, vestiu a primeira roupa que viu, ja era quase 10. Não tinha fome, nem vontade de viver. Pegou suas chaves entrou no carro e saiu, tinha que trabalhar. Mais um dia comum a esperava, acendeu um cigarro, ligou o radio e como todos os dias foi viver uma vida que não era a sua...